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A depressão e o suicídio

DepressoO termo depressão tem sido usado de forma ampla por leigos e profissionais. O capítulo é vasto porque, sob este título, fala-se de diversas situações emocionais que vão desde quadros depressivos propriamente ditos , a sentimentos de angústia e tristezas normais que podem ser classificadas, erroneamente, de depressão.
Além das confusões comuns nesse tema, temos que lembrar das importantes variações nos transtornos de humor, do transtorno de humor bipolar e todo o seu espectro de possibilidades e também as obsessões Espiríticas, tão bem conhecidas pelos estudiosos do Espiritismo e tão desconhecidas pelos cientistas comuns.
O transtorno denominado depressão, na perspectiva clínica, não se refere à tristeza ou falta de força de vontade e sim a alterações profundas no psiquismo, com importantes alterações na  química cerebral. E, sob esse enfoque é que desenvolveremos o nosso capítulo.
Segundo a CID 10 ( Classificação Internacional de Doenças) em sua 10ª revisão, a depressão está assim classificada ¹:
F32 Episódios depressivos ( leve, moderado e grave )
F33 Transtorno depressivo recorrente (leve, moderado e grave)
F34 Transtornos persistentes do humor (Distimia )
F38 Outros transtornos do humor (afetivos)
F39 Transtorno do humor (afetivo) não especificado
Alguns dos sintomas comuns de depressão são²:
sentir-se triste durante a maior parte do dia, diariamente;
perder o interesse em atividades rotineiras;
perder peso (quando não em dieta) ou ganhar peso;
dormir demais ou de menos ou acordar muito cedo;
sentir-se cansado e fraco o tempo todo;
sentir-se inútil, culpado e sem esperança;
sentir-se irritado e cansado o tempo todo;
sentir dificuldade em concentrar-se, tomar decisões ou lembrar-se das coisas;
ter pensamentos frequentes de morte e suicídio.
SUICÍDIO E DEPRESSÃO
Dentre os sintomas de depressão os mais dramáticos são os pensamentos e comportamentos suicidas.
O suicídio e as tentativas de suicídio raramente são vistos fora do contexto de um transtorno psiquiátrico. O risco de suicídio pode ser considerado como a conseqüência de uma alteração clínica disfuncional que demanda uma avaliação cuidadosa e tratamento psiquiátrico prioritário. Em contrapartida, a prevalência de transtornos de personalidade e problemas interpessoais é elevada entre os casos de tentativas de suicídio³.
Dentre os transtornos de humor, a  depressão ocupa o primeiro lugar nos transtornos psiquiátricos que estão mais envolvidos no risco de suicídio. Entre os pacientes deprimidos, de 10 a 19% cometerão suicídio durante a evolução da sua doença ao longo da vida. O risco de suicídio nos pacientes com diagnóstico de transtorno depressivo é vinte vezes maior que o esperado na população geral³.
Três características em particular são próprias do estado das mentes suicidas:
1. Ambivalência: A maioria das pessoas já teve sentimentos confusos de
cometer suicídio. O desejo de viver e o desejo de morrer batalham numa
gangorra nos indivíduos suicidas. Há uma urgência de sair da dor de viver e
um desejo de viver. Muitas pessoas suicidas não querem realmente morrer
– é somente porque elas estão infelizes com a vida. Se for dado apoio
emocional e o desejo de viver aumentar, o risco de suicídio diminui.
2. Impulsividade: Suicídio é também um ato impulsivo. Como qualquer outro impulso, o impulso para cometer suicídio é transitório e dura alguns minutos ou horas. É usualmente desencadeado por eventos negativos do dia-a-dia.
Acalmando tal crise e ganhando tempo, o profissional da saúde pode ajudar a diminuir o desejo suicida.
3. Rigidez: Quando pessoas são suicidas, seus pensamentos, sentimentos e ações estão constritos, quer dizer: elas constantemente pensam sobre suicídio e não são capazes de perceber outras maneiras de sair do problema. Elas pensam rígida e drasticamente³.
Nessas três situações temos a concomitância das sintonias espirituais obsessivas.
No caso da ambivalência percebemos os pensamentos intrusos das mentes espirituais desequilibradas que se somam aos pensamentos-sentimentos desencontrados do doente para incliná-lo ao suicídio. A persistência desses pensamentos sugere a necessidade de terapia complementar Espírita, como é o caso dos passes e da desobsessão.
Na impulsividade encontramos o mesmo fator de influência. A falta de controle na vontade demonstra instabilidade emocional importante. Essas situações cursam desde a perda de controle eventual, até padrões mais constantes de impulsividade. Nesse contexto, as perturbações espirituais influenciam, via de regra, ao consumo de substâncias, como o álcool e as drogas. O indivíduo em estado de embriaguês torna-se mais vulnerável ao impulso e, com a perda da capacidade do raciocínio crítico e controle de suas ações, fica à mercê das entidades espirituais que passam a controlá-lo livremente.
A rigidez de pensamento é a falta de flexibilidade para pensar de uma outra maneira diante de um momento difícil.
Em “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec analisa a questão da fascinação na mediunidade:
Já dissemos que muito mais graves são as conseqüências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas 4.
Na ideação suicida percebe-se o monoideísmo, ou seja, o pensamento fixado numa única idéia, ou conjuntos de idéias que culminam num mesmo ponto. As idéias catastróficas diante dos acontecimentos e do mundo emocional geram a falta de perspectiva diante da vida.
Por esse motivo a Doutrina Espírita aconselha o cuidado com os pensamentos e sentimentos que cultivamos. As sintonias de ordem espiritual obedecem ao comando das emoções. As mesmas sintonias que regem as relações humanas são as que regem a convivência espiritual. Os processos obsessivos encontram instalação quando da “persistência” de determinados estados emocionais negativos.
A DIMENSÃO  ESPIRITUAL
O Espiritismo confirma as dimensões biológicas, sociais e ambientais dos transtornos mentais, todavia ele amplia esse conceito  acrescentando a dimensão espiritual, através das obsessões, ou seja, “a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo – Allan Kardec 5 –
A ciência ainda não reconhece a importância dos fatores espirituais na gênese dos transtornos mentais. As obsessões espirituais não são também relacionadas dentre as causas fundamentais da ideação suicida.  Por conta disso, entendemos que as depressões se tornam um capítulo complexo porque suas motivações sofrem influência da dimensão espiritual, muito além das razões eminentemente clínicas, freqüentemente consideradas de origem desconhecida.
Um dia a obsessão será colocada entre as causas patológicas, como o é hoje a ação de animais microscópicos, de cuja existência não se suspeitava antes da invenção do microscópio 6. – Allan Kardec -
Os tratamentos medicamentosos, de reconhecida valia pelos benefícios que proporcionam quando bem indicados, tornam-se perigosos em algumas situações. Em algumas delas já bem estabelecidas pela psiquiatria, como é o caso da depressão bipolar, em que inicialmente estão contra-indicados os antidepressivos, porque podem ocasionar instabilidade emocional, com o fenômeno conhecido por virada maníaca. Essa situação é conhecida pelo aumentado risco de suicídio que ocasiona, uma vez que não essa a terapêutica preconizada nesses casos.
Da mesma forma sugerimos que, em muitas situações, as perturbações espirituais não são percebidas e computadas na avaliação diagnóstica e são deixados de lado os cuidados de natureza espiritual.
POR QUE INCLUIR ESPIRITUALIDADE?
Essa pergunta tem sido feita por muitos profissionais da área de saúde atualmente. Quem responde é o Dr. Harold Koenig, Diretor do Centro para Estudo da Religião/Espiritualidade e saúde da Universidade de Duke, Carolina do Norte (EUA), e uma das maiores autoridades em pesquisa sobre o tema. Em sua excelente obra Espiritualidade no cuidado com o paciente o professor Koenig fala de sua experiência e pesquisas em múltiplas interfaces da temática espiritualidade e saúde.
Durante o século XX, mais de 1.200 estudos examinaram a relação entre religião e saúde, sendo que a maioria encontrou uma correlação positiva significante(...)
(...) Há ainda mais consenso quando as taxas de suicídio e abuso de substâncias são consideradas. Dos 68 estudos que examinaram suicídios, 84% mostraram baixas taxas de suicídio ou atitudes negativas entre os mais religiosos. De quase 140 estudos que examinaram o envolvimento religioso e o abuso de álcool ou drogas, 90% apresentaram uma correlação estatisticamente inversa entre esses dois fatores. A consistência desses resultados é impressionante, dado que foram realizados em populações bem diferentes, por diferentes grupos de pesquisadores, e em diferentes regiões do planeta 7.
A CONTRIBUIÇÃO ESPÍRITA
957. Quais, em geral, com relação ao estado de Espírito, as consequências do suicídio? 8
Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma conseqüência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam. (O Livro dos Espíritos)
Pode-se interromper a existência, nunca a vida. A morte física não decreta o final da vida e, portanto, não se pode cessar um sofrimento com a morte. Nunca estaremos fora da vida. O que nasce e morre são as formas da vida.
O prisma da imortalidade amplia a noção do assunto. Sob o olhar materialista, vivemos uma única vida física e, portanto, não há sentido em prolongar um sofrimento, diante do momento final. No entanto, nascemos com uma constituição de fluido vital que nos dá um determinado tempo aproximado de vida corporal. Antecipar o tempo da existência física, gera perturbações no campo perispiritual, uma vez que essa estruturação foi feita previamente no mundo espiritual. 9
O paradigma Espírita é fundamental na prevenção do suicídio pela visão que proporciona. A vida continua sempre e a morte do corpo não extingue o sofrimento que se quer aliviar pelo suicídio.
A Doutrina Espírita nos acena com a eternidade. Terminam algumas etapas, iniciam outras. A existência presente é uma oportunidade de crescimento na nossa evolução espiritual, onde o objetivo final é a conquista da paz e da felicidade plenas. Saúde mental é impossível sem espiritualidade. Equilíbrio e paz solicitam o concurso da dimensão espiritual e da reforma íntima do indivíduo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.  Organização Mundial da Saúde. Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed; 1993.
2. Organização Mundial da Saúde, Departamento de Saúde Mental. Prevenção do Suicídio: Um Manual para Profissionais da Saúde em Atenção Primária. Genebra: WHO; 2000.
3. Coêlho BM, Melo-Santos C, Yuan-Pang W. Interconsulta no paciente com risco de suicídio. In: Clínica Psiquiátrica: A Visão do Departamento e do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP. São Paulo: Ed. Manole; 2011. Pag. 1486 a 1487
4.  Kardec A.  O Livro dos Médiuns. 47ª ed. Rio de Janeiro: FEB; 1982. p. 299
5.  Kardec A.  A Gênese. 24ª ed. Rio de Janeiro: FEB; copyright. 1944. Reimpressa em 3/1982, Cap. XIV it.45,  pag. 304.
6.   Kardec A. Estudo Sobre os Possessos de Morzine (III artigo). Revista Espírita 1863; 6(2): 57-67.
7.  Koenig H G. Espiritualidade no Cuidado com o Paciente: Por quê, como, quando e o quê. São Paulo: FE Editora Jornalística; 2005. P. 17-31.
8.  Kardec, A. O Livro dos Espíritos. 56ª ed. Rio de Janeiro: FEB; copyright. 1944. Reimpressa em 8/1982, Parte quarta, perg 957, pag. 443.logo_ame_pelotas
9.  Lopes S. Leis Morais e Saúde Mental. 2ª ed. ED. Francisco Spinelli; 2009. Cap.5 – Da Lei de Conservação e Saúde Mental. Porto Alegre, págs. de 67 a 68.
Fonte: Dr. Sérgio Luis da Silva Lopes – Médico Psiquiatra Presidente da Associação Médico-Espírita de Pelotas/RS.
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