Raul Teixeira em Pelotas

HÁ MUITAS MORADAS ENTRE O CÉU E A TERRA
Médium Raul Teixeira retornou à Pelotas em agosto e proferiu palestra para Guarany repleto

Na ditadura de Getúlio Vargas os centros eram fechados, e os espíritas fichados na Delegacia. Antes desse período, o médico Bezerra de Menezes (1831/1900), conhecido como “médico dos pobres”, padeceu com o escárnio e zombaria. Numa exposição no Salão da Guarda Imperial, ele expressou que era espírita. Foi o bastante para perder a clientela. Além disso, quando transitava por São Cristóvão, onde residia, era alvo de escarros e grosserias. Em Minas Gerais, o professor Cícero Pereira, que viajava pelo interior, retornava à noite para casa. Próximo a matagal, apareceu cavaleiro que puxou assunto. Falando de alma aberta, o professor expressava a “mensagem do consolador”. O cavaleiro parou, pediu para que o professor descesse. Consternado, choroso, revelou que havia sido contratado para matá-lo. O crime do professor era “ser espírita, isto é, alguém que encontrou outra maneira de amar Jesus Cristo”. Os episódios foram mencionados pelo médium Raul Teixeira – cidadão pelotense -, que esteve palestrando domingo à noite no Guarany.

 

HOMENAGEM – A palestra foi comemorativa ao centenário da Sociedade Espírita Assistencial Dona Conceição. A abertura foi conduzida por Edenir Madeira – departamento de comunicação social da Liga Espírita Pelotense (LEP). Também houve manifestações de Ieda Scaletscky, representando a Sociedade Dona Conceição, e Sérgio Luis dos Santos Pereira – vice-presidente da sociedade centenária. À mesa, recepcioando Raul Teixeira, também Dora Bittencourt, que preside a LEP, e André Peres – Juventude Espírita de Pelotas. O Theatro ficou lotado, e telões foram instalados no foyer e pátio lateral do Guarany.

COLÔNIAS – Em 1944 Chico Xavier publicou, sob a orientação do espírito de André Luiz, o livro “Nosso Lar”. Após o “Umbral”, área de expiação num outro plano, o espírito de André Luiz é levado à colônia Nosso Lar. Conforme Raul Teixeira, o livro tornou-se um marco no espiritismo brasileiro. Na palestra, ele salientou, no entanto, que existem várias colônias. Assim, “Nosso lar” estaria na área de abrangência do Rio de Janeiro. E falou que, numa das visitas a Uberaba, nos encontros que Chico Xavier promovia com amigos, ouviu sobre diferentes colônias. Através do espírito Emanuel, foram divulgadas em livros. Algumas: Pão Nosso; Vida de Luz; Fonte Viva.

MORADAS – Em João, capítulo 14, versículos 1 a 3, consta “Crede em Deus, também em mim, porque na casa de meu pai há muitas moradas”. A partir da citação, Raul Teixeira listou desde as interpretações místicas na antiguidade, chegando a descobertas da astronomia. Comparando a vida no fundo do mar, os peixes que dispõem de organismo capaz de suportar a alta pressão, com as limitações humanas para o mergulho em grandes profundidades, expressou que há diferentes formas de vida. Complementando, também mencionou os pássaros, que suportam o ar rarefeito. Para o homem, a altitude provoca sangramentos e há necessidade de equipamentos. Através dos exemplos, Raul Teixeira mencionou acerca da perspectiva de mais mundos habitados. A energia, formas de vida, é que talvez sejam diferentes. Além disso, frisou a necessidade de voar com as duas asas, ou seja, uma referente à conduta moral e outra relacionada à evolução intelectual. Jesus, disse o médium, foi um ser com essa capacidade. A exemplo, as curas e os designados milagres. Na verdade, além do amor no coração, ele também dispunha de conhecimentos para alterações na matéria. Se há outras moradas, a nossa, porém, tem se mostrado palco para “pedofilia, sexolatria, drogadição e corrupção”. Mas, disse Raul: “Uma estrela que brilha no infinito, pertence a nós. Um dia todos seremos anjos, daremos as mãos e veremos constelações, livrando nossa alma do erro nesse mundo de desterro”. Conforme salientou, estamos no “mundo-escola”, com prova e expiação.

CENTENÁRIO DA SOC. DONA CONCEIÇÃO

No Lar da Criança Dona Conceição, amparo a 165 crianças e jovens, desde os dois até dezesseis anos. A mantenedora é a Sociedade Espírita Assistencial Dona Conceição – rua João Manoel 251 -, que está completando cem anos. Idealizada por Virgínia Taveira Fróes a então Sociedade Auxílio Fraternal de Senhoras Espíritas, teve como destaque a dedicação de Maria da Conceição Barbosa Dias. No testamento de dona Conceição, que faleceu em 1927, doação da moradia à Sociedade, desde que fosse estabelecido orfanato. A trajetória e exemplo de dona Conceição foram mencionados pelo conferencista Raul Teixeira. Atualmente, além do Lar da Criança, a Sociedade também é mantenedora da Escola Assistencial Jeremias Froes. A manutenção decorre da mensalidade dos sócios, donativos de colaboradores, fração proveniente de aluguéis e repasse de verbas governamentais – com base em projetos apresentados pela instituição. Informações: 3222.2634.

REPARO À EXISTÊNCIA PREGRESSA DE KARDEC


Em outubro de 2010, Raul Teixeira participou do Congresso Mundial de Espiritismo. O evento ocorreu em Valência na Espanha, e houve o lançamento do filme “Nosso Lar”. Uma semana após o congresso, o médium esteve em Constança na Alemanha. Ele conta que ficou emocionado, pois o local da palestra foi o mesmo que julgou o filósofo e reformador religioso Jan Huss no século 15. O julgamento foi uma “armadilha”, com a participação da Igreja, que decretou a morte do tcheco na fogueira. Ao arder sob as labaredas, Huss teria dito que voltaria como “cisne de luz”. Conforme Raul Teixeira, Jan Huss retornaria no século 19 como Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou seja, Allan Kardec.

BEBER SOCIALMENTE AFETA “FLUIDO VITAL”


A postura suicida não se restringe a atos como “quem dá tiro no próprio corpo”. Raul Teixeira citou a experiência do médico André Luiz, narrada no filme Nosso Lar. Após a morte, ele foi tratado como “suicida”. André Luiz, porém, contestava o tratamento que recebia. Ele soube então que o seu hábito de “beber socialmente”, diariamente colocando “gelinho no copo”, e minando o funcionamento do fígado, também havia queimado o seu “fluído vital”. O comportamento tornou-se “suicida”, pois comprometeu seu organismo e energia.
Outras posturas também remetem à destruição do fluido. “A língua ferina, vingança, mágoa e ódio, geram cancerização de todo tipo. O feixe elétrico não suporta, ocorre curto-circuito, infarto e morte. Então, lesão que limita a vida”, acrescentou Raul Teixeira.

SANTO AGOSTINHO E O MUNDO MENTAL


O médium citou Santo Agostinho (354/430 d.C.), comparando com o capítulo 3 do “Evangelho Segundo o Espíritismo”. No livro de Kardec, o capítulo está intitulado “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. Para Raul, Santo Agostinho “saiu da encarnação sem alguns saberes”. Porém, após prova e expiação, apontou para mundo regenerador. “Sonhamos com a Terra renovada, em busca do bem”, acrescentou o médium.
PSIQUISMO – “Para os gregos, o ‘ethos’ estava relacionado ao conjunto de hábitos adquiridos, bem como o lugar no qual se mora. Trata-se da casa montada em conformidade com os valores internos. A casa reflete seu morador. Já Santo Agostinho abordou o mundo mental, contribuiu para o psiquismo. Assim, nossa casa mental mostra nosso espiritual. Alguém que se convence que é mau, tudo fará para isto. O mesmo acontece com quem se envaidece, considerando-se o melhor. Já aquele que se propõe irmão dos demais, sintonizará com Ghandi e Madre Tereza, ou seja, novas dimensões de moradas, onde vivem filósofos e escritores”, disse Raul.

DESVENDANDO A VIDA ALÉM DO VÉU


Em Florença o poeta Dante Alighieri (1265/1321), ao escrever a “Divina Comédia”, narrou os infernos. De acordo com Raul, ele ainda estava impregnado pela “crença romana, sem penetrar na dimensão celestial”. Com isso, não “imaginava o alcance para compreender o psiquismo”. Já entre o final do século 17 e começo do século 18, o filósofo e místico sueco Swedenborg (1688/1772), dotado de “dupla vista”, faculdade anímica, de acordo com Raul, conseguia ver o que se passava simultaneamente num outro local. O episódio clássico, disse o médium, ocorreu quando o místico contou, em Londres, sobre o incêndio que estava acontecendo em Estocolmo. Ele sistematizou religião que atualmente está enfraquecida. Raul observa que, para o sueco, os “anjos” seriam os espíritos.
VÉU – No século 19, pastor evangélico com visões do além, mencionou a “vida além do véu”. Para o médium, tais etapas remontam a diferentes manifestações, como as indianas. O “samsara” seria o inferno, e o céu cristão a bem-aventurança do “nirvana”. “Nesses mundos superiores reina a paz, sossego e silêncio”, disse o palestrante. No século 19, com o Livro dos Espíritos de Kardec, os espíritos são descritos. Assim, desde primitivos, passando por inferiores, até os puros.

Fonte: Há Muitas Moradas entre o Céu e a Terra, Terceiro Milênio, Carlos Cogoy

 

 

Fotos: Cláudio D'Ávila

 

0
0
0
s2sdefault
powered by social2s
INSTITUCIONAL DOUTRINA ESPÍRITA NOTÍCIAS DEPARTAMENTOS CASAS

presidentes
histórico
galeria de fotos antigas
fundar uma casa espírita

artigos
downloads
estudos

jornal
aconteceu
rádio e tv

assuntos da família
assist. e prom. social espírita
comunicação social
doutrinário
infância e Juventude
livraria

AME Pelotas
todas as casas
galeria de fotos
horários

  TERCEIRO MILÊNIO      
  no rádio
na tv
no youtube
no facebook
 

 

 
© Todos os direitos reservados a Liga Espírita Pelotense
Rua Andrade Neves, 981 CEP 96020-080 Pelotas RS Tel (53) 3278-2660